Passadiços de Transposição: UNE EN ISO 14122-2

passadiço de transposição dentro de um pavilhão industrial

Neste artigo vamos centrar-nos na Norma UNE EN ISO 14122-2, que trata de “plataformas de trabalho e passadiços” e, em particular, falaremos sobre os passadiços de transposição.

Dentro das “plataformas de trabalho e passadiços” temos diversos tipos:

  • Passadiços planos ou de circulação
  • Passadiços de transposição ou “saltos de lobo”
  • Passadiços de manutenção de equipamentos
  • Passadiços em dente de serra ou shed
  • Passadiços para coberturas frágeis

Um dos mais utilizados, tanto em obras de nova construção como antigas, são os passadiços de transposição ou “saltos de lobo” e a razão é simples.

Na indústria, a maior parte das instalações de serviço percorre a cobertura e torna-se imprescindível poder “saltá-las” para passar de um lado para o outro, embora também possamos encontrar lanternins ou juntas de dilatação que teremos de transpor.

Os requisitos básicos que a Norma UNE EN ISO14122-2 estabelece para o fabrico e conceção dos passadiços de transposição ou “saltos de lobo” são os seguintes:

Materiais, fixação e fabrico dos passadiços de transposição

Os passadiços de transposição devem ser concebidos e fabricados com materiais que resistam às condições de utilização previstas.

O material mais utilizado para o fabrico de saltos de lobo é o alumínio, embora também se utilize muito o polietileno. Ambos são materiais muito leves, característica muito importante tendo em conta o local habitual onde o passadiço será instalado. Em menor medida, utiliza-se o aço para a conceção e o fabrico de saltos de lobo.

Relativamente aos sistemas de fixação deste tipo de passadiços, temos várias opções consoante o local o permita: poderemos ter passadiços de transposição aparafusados à cobertura ou estabilizados mediante contrapesos, sendo esta última alternativa ideal quando não é possível perfurar os elementos de cobertura.

Além disso, os passadiços devem ser concebidos e fabricados de modo a cumprir os seguintes pontos:

  • Propriedades antiderrapantes duradouras
  • Evitar a queda das pessoas que circulem por eles
  • Resistir às condições ambientais (clima, agentes químicos, gases corrosivos, etc.)
  • Proporcionar um nível de proteção ótimo no que respeita à segurança dos utilizadores

Dimensões dos passadiços de transposição

De acordo com os valores mencionados nas Normas ISO 15534-1 e ISO 15534-3 e, salvo circunstâncias excecionais, a altura livre mínima entre o teto e o passadiço de transposição deve ser de 2.100 mm.

No caso de existir um obstáculo, como por exemplo uma tubagem que cruza à altura da cabeça, a altura livre mínima pode ser reduzida para 1.900 mm, estabelecendo-se medidas de proteção e sinais de aviso.

Quanto à largura livre do passadiço, esta deve ser ≥ 800 mm. Caso pelo passadiço circule simultaneamente mais do que uma pessoa, a largura deverá ser aumentada para 1.000 mm.

Consoante o ambiente ou a utilização ocasional do passadiço, a largura livre pode ser reduzida de 800 mm para 600 mm. Por exceção, para uma distância curta inferior a 2.000 mm, a largura livre pode ser reduzida de 600 mm para 500 mm.

passadiço de transposição dentro de um pavilhão industrial

Proteção contra riscos diversos em passadiços de transposição

Risco de queda

Em caso de risco de queda dos passadiços, com uma altura igual ou superior a 500 mm, devem instalar-se guarda-corpos conformes com a Norma UNE EN ISO 14122-3.

Estagnação de fluidos

Quando existe perigo devido à estagnação e/ou acumulação de fluidos, bem como à acumulação de substâncias, os pisos devem ser concebidos de modo a que qualquer fluido derramado neles escorra e não possam acumular-se terra, neve, gelo nem qualquer outra substância; recomenda-se a utilização de chapas perfuradas.

Tropeções

Quando existe perigo de tropeções, para evitar este risco, a diferença máxima de altura entre as extremidades ou os bordos de elementos do piso próximos não deve ser superior a 4 mm.

Queda de objetos

Em caso de perigo de queda de objetos, o piso do passadiço cumprirá os seguintes requisitos:

  • As aberturas máximas do piso dos passadiços devem ser tais que não possa passar uma esfera de 35 mm de diâmetro.
  • As aberturas máximas dos pisos situados por cima de um local onde se encontrem pessoas a trabalhar, e não de locais de passagem ocasional, devem ser tais que não possa passar uma esfera de 20 mm de diâmetro, a menos que, por outros meios apropriados, se garanta o mesmo nível de segurança.

Se, como resultado da avaliação de riscos, se concluir que os perigos gerados por objetos ou outros materiais que caem ou passam através do piso são mais significativos do que os de deslize, queda, etc., o piso não deve ter qualquer abertura.

Se existirem vãos no piso, por exemplo para a passagem de tubagens ou outros elementos, ou entre o bordo do passadiço e as estruturas contíguas, consoante o tamanho desses vãos será necessário instalar rodapé com uma altura mínima de 100 mm, instalar rodapé e corrimão ou, em casos extremos, guarda-corpos segundo a Norma ISO 14122-3.

Cargas admissíveis de projeto nos passadiços de transposição

As cargas mínimas a ter em conta no projeto dos saltos de lobo são:

  • 2 kN/m2 sob carga distribuída, para a estrutura;
  • 1,5 kN de carga pontual aplicada na posição mais desfavorável, repartida numa superfície de carga de 200 mm x 200 mm, para o piso.

A flecha do piso sujeito às cargas de projeto não deve ser superior a 1/200 do vão e a diferença entre dois pisos contíguos, um carregado e o outro vazio, não deve ser superior a 4 mm de altura.

Esperamos que este artigo tenha sido útil para compreender os requisitos que se estabelecem para os passadiços de transposição ou “saltos de lobo” quanto à conceção e ao fabrico.

Se necessitar de mais informação sobre saltos de lobo e as suas diferentes opções de conceção, não hesite em contactar-nos.

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